Já, já me vai, Marília, branquejando
Louro cabelo, que circula a testa;
Este mesmo, que alveja, vai caindo
E pouco já me resta.
As faces vão perdendo as vivas cores,
E vão-se sobre os ossos enrugando,
Vai fugindo a viveza dos meus olhos;
Tudo se vai mudando.
Se quero levantar-me, as costas vergam;
As forças dos meus membros já se gastam,
Vou a dar ela casa uns curtos passos,
Pesam-me os pés, e arrastam.
Se algum dia me vires destas sorte,
Vê que assim me não pôs a mão dos anos:
Os trabalhos, Marília, os sentimentos,
Fazem os mesmos danos.
Mal te vir, me dará em poucos dias
A minha mocidade o doce gosto;
Verás burnir-se a pele, o corpo
encher-se,
Voltar a cor ao rosto.
No calmoso Verão as plantas secam;
Na Primavera, que os mortais encanta,
Apenas cai do Céu o fresco orvalho,
Verdeja logo a planta.
A doença deforma a quem padece;
Mas logo que a doença faz seu termo,
Torna, Marília, a ser quem era dantes,
O definhado enfermo.
Supõe-me qual doente, ou mal a planta,
No meio da desgraça, que me altera;
Eu também te suponho qual saúde,
Ou qual a Primavera.
Se dão esses teus meigos, vivos olhos
Aos mesmos Astros luz, e vida às flores,
Que efeitos não farão, em quem por eles
Sempre morreu de amores?
Interpretação:
Tomás, ao escrever o poema,
ressalta o fato de ter sofrido as modificações tragas com o tempo, mas que o
seu amor por Marília permanece apesar de tudo. Ao comparar as estações, dá um
entendimento de que, por mais que as coisas tenham ficado abatidas (no meu ver,
seus sentimentos pela mulher), ou mudado, o que ainda é vivo retorna a ser o
mesmo com a vinda das lembranças.
Características
do arcadismo:
As características mais
evidentes na lira acima é, além da preocupação como o homem natural, a exaltação da pureza e da beleza e a espontaneidade dos
sentimentos.
Contexto histórico:
A
segunda parte do livro de Tomás, foi escrita quando ele estava preso. É visível
nessas poesias, sentimentos pessimistas de injustiça, solidão e temor do futuro
que antecedem as características pré-românticas presentes mais evidentemente. Percebe-se
também, que o poeta vive de recordações e de saudades da amada.
Glossário:
Branquejando: alvejando; alvorecendo; branqueando; clareando;
embranquecendo; encanecendo.
Alveja: alvorece; alvoreces; alvoreça; branqueia; branqueias;
branqueie; branqueja; branquejas; branqueje; clareia; clareias; clareie;
embranquece; embranqueces; embranqueça; encanece; encaneces; encaneça.
Verdeja: -
verdejar - v.i. Tornar-se verde; apresentar cor
verde: verdejam os campos.
Definhado: adj. Magro a ponto de ter os flancos descarnados:
cavalo definhado. Debilitado, modificado, abatido.
Wanessa Azevedo, 36, 1°F.
Não tem como falar mais do que isso, minha colega já explicou tudo que eu poderia falar sobre a lira.
ResponderExcluirMas uma coisa que vejo muito em determinadas liras e não concordo é o fato do que ele sente por Marília mudar, não consigo ver essa mudança no que se refere ao sentimento, sempre que vejo as liras de Tomás vejo uma pessoa que apesar dos problemas e das mudanças corporais e mentais, vai amar Marília da mesma forma, do inicio ao fim.
Número 29/1ºF
Refazendo meu comentário:
ExcluirNão tem como falar mais do que isso, minha colega já explicou tudo que eu poderia falar sobre a lira.
Mas uma coisa que vejo muito em determinadas interpretações das liras e não concordo é com o fato do que ele sente por Marília, mudar. Não consigo ver essa mudança no que se refere ao sentimento, sempre que vejo as liras de Tomás vejo uma pessoa que apesar dos problemas e das mudanças corporais e mentais, vai amar Marília da mesma forma, do inicio ao fim.
Número 29/1ºF
Eu discordo do Samuel, eu acredito que existe mudanças nos sentimentos do autor e que quando escreveu essa lira refletia tudo o que sentia por Marília. Nessa lira o autor já não fala de Marília como uma "deusa", colocando Marília como algo "irreal". A distância que existia entre ele e Marília naquele momento fazia com que ele ficasse desgastado, se questionando sobre tudo o que sentia por ela. Eu acredito que ninguém ama da mesma forma do começo ao fim a erosão do tempo não permite isso muitas vezes ou as vezes as próprias mudanças acabam desgastando o sentimento. Eu acredito que o autor amou Marília da primeira lira até a ultima lira mas não da mesma forma e não com a mesma intensidade.
ExcluirAna Luísa, 02, 1F
Vemos que Dirceu está muito preocupado com as mudanças físicas que lhe ocorreram nesse tempo em que ficou preso, há uma preocupação intensa com a estética, o eu lírico relata que todos os seus “problemas” poderiam se reverter quando ele se reaproximasse de Marília .
ResponderExcluirDiego Santos,09,1ºF.
Eu concordo com o comentário da Ana Luísa , eu também acredito que mudanças aconteçam nos sentimentos e com as pessoas. Nessa lira o poeta já não exalta tanto a sua amada mas fala sobre a distância entre eles o que faz o poeta refletir sobre tudo que sentia por ela.
ResponderExcluirAna Vitória,03,1F