quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Atividade Final

       A terceira parte do livro foge um pouco da forma como Tomás escrevia seus poemas, composto na maioria por liras. O livro em si fora baseado no amor por Maria Dorotéia, mas nessa parte, fica claro que o autor interessava-se por outras musas. Segundo algumas pesquisas, o fato dessa terceira parte citar outros amores e estar em forma diferente do resto do livro, é que Dirceu estava começando a “ser um árcade”, e que não havia conhecido Marília, para qual dedicou sua obra.
       Na lira V, Dirceu cita Nise e coloca em questão seus bens materiais, comparando-se com reis e outros com menos riquezas que ele. A referência às riquezas que Dirceu possuía é o tópico predominante na lira e é o tema que irei tratar. Na segunda estrofe, quando Tomás diz "Não cinjo coroa d’ouro;/ mas povos mando, e na testa altiva verdeja a coroa do sagrado louro." percebo que o autor faz referência à reis, que além das riquezas, tem poder sobre algum povo. Ao meu ver, apesar de colocar-se como um "rei diferente", a autoridade era algo que Dirceu valorizava. Acredito que hoje em dia não seja muito diferente de antigamente, desde os primórdios há um certa hierarquia na sociedade e as pessoas de maior destaque são as com maior poder e maior autoridade. Apesar dos avanços na sociedade e das diversas mudanças que os acompanham, algo que não muda é esse realce das autoridades e mesmo com todas as desigualdades, tanto em relação ao tratamento, quanto em relação à questão de chegar ao poder, ainda há o respeito, a cortesia e a necessidade desses. 
      A auto-colocação que o autor faz é, além de uma reflexão sobre sua vida, uma súplica para que Nise reconhecesse sua posição em relação ao seu poder aquisitivo, sua colocação em meio a sociedade e que definisse assim, suas "chances" comparado aos outros pretendentes da amada. Mas a questão é que não se sabe ao certo, como o autor queria ser visto por ela, pois sua forma de escrever não dá a entender que quisesse maior destaque. Entre as diversas concepções, é difícil ter a certeza de quais eram as riquezas mais valiosas que Dirceu carregava junto a si, se eram as riquezas “exteriores”, ou se eram as riquezas “emocionais” e quais eram as que ele considerava mais importantes. É perceptível a exaltação dos bens, mas também é perceptível que o autor não queria glorificar-se por tê-los, mas com humildade, enumerar os diversos motivos que o fez merecê-los. Entretanto, a lira não vem preocupar-se especialmente com o achar do eu lírico, mas sim, com o da amada citada no final de cada estrofe. Esse é o foco que o autor queria, que sua amada o visse como ele realmente fosse, e não correspondesse seus sentimentos pelos seus bens, mas pelo o que ele fez para consegui-los e o que ele pudera fazer para conquistar seu coração. Comparando essa contradição do autor com o dia-a-dia, podemos perceber que apesar de tudo, nada vale ter muita riqueza material, se nada se pode oferecer ao outro. A maior riqueza é aquela que não se pode ser tocada ou vista.
        
Wanessa Azevedo, 36, 1F.

Nenhum comentário:

Postar um comentário